Enquanto críticos, cinéfilos e curiosos de plantão assistem aos filmes que estarão presentes na cerimônia de entrega do Oscar (a ser realizada no dia 4 de março), nós da AFT ficamos na expectativa com relação a dois longas que entraram para a lista dos indicados: "Corra!", obra sobre a qual já falei na primeira parte desse especial, e o belíssimo "A Forma da Água", nova fábula do mexicano Guillermo del Toro. O cineasta, que estreou com o elogiado "Cronos" (1993), já tinha feito barulho em 2006/07, com "O Labirinto do Fauno", filme de beleza incomum.
O diretor é um exímio contador de histórias. E suas inspirações são reconhecíveis pela forma como ele as utiliza (sempre de maneira reverente): "A Colina Escarlate", injustamente malhado, é um conto gótico com uma estética que remete ao mestre italiano Mario Bava. O anterior, "Círculo de Fogo", é uma incrível aventura em que robôs gigantes enfrentam ameaças monstruosas. Há ecos de tokusatsu e animes, inclusive no nome que é dado às feras gigantes: kaijus (as famosas criaturas nipônicas, como Godzilla e Mothra). Chegamos, então, ao aclamado "A Forma da Água". Aqui, del Toro chega a um ponto de sua inspiração que só pode ser superado por "O Labirinto do Fauno" (também, né, covardia...).
Estamos na década de 1960. Personagens solitários desfilam na trama protagonizada por Elisa (Sally Hawkins), faxineira literalmente muda de um departamento governamental dos EUA. Um humanoide aquático é encontrado no Brasil e levado para o local onde Sally e a divertida Zelda - amigas inseparáveis - limpam dia após dia. A protagonista se interessa por aquele ser ao vê-lo sendo maltratado. Afinal, ele é o verdadeiro monstro? A estranha criatura ou um homem capaz de qualquer coisa para conseguir o que deseja? Michael Shannon surge como um homem abjeto, que se julga o dono das virtudes.
Amálgama de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" e "O Monstro da Lagoa Negra", estão presentes na trama elementos como a diversidade, a solidão e o isolamento. Há uma cena da protagonista na banheira e outra envolvendo seu amigo gay (parabéns, Richard Jenkins!), que dão a exata dimensão do estado de espírito dos personagens. Sally Hawkins é forte e encantadora e o que se vê na tela é poesia. Del Toro exibindo, mais uma vez, sua potência como artista.
Ah, o Oscar! Tem peixe grande no páreo, mas "A Forma da Água" andou faturando uma cacetada de prêmios por aí e está no páreo com 13 nominações. São elas:
Melhor Filme: Guillermo del Toro, J. Miles Dale
Melhor Diretor: Guillhermo del Toro
Melhor Roteiro Original: Guillhermo del Toro
Melhor Atriz: Sally Hawkins
Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer
Melhor Ator Coadjuvante: Richard Jenkins
Melhor Trilha Sonora Original: Alexandre Desplat
Melhor Fotografia: Dan Lausten
Melhor Figurino: Luis Sequeira
Melhor Montagem: Sidney Wolinsky
Melhor Mixagem de Som: Christian T. Cooke, Glen Gauthier, Brad Zoem
Melhor Direção de Arte: Paul D. Austerberry, Shane Vieau, Jeffrey A Melvin
Melhor Edição de Som: Nathan Robitaille, Nelson ferreira
Trailer:
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